Transformar conhecimentos de engenharia em foguetes e satélites capazes de cumprir uma missão real foi o desafio enfrentado pela equipe Kosmos Rocketry, formada por estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Joinville. O trabalho resultou no segundo lugar na categoria de 3 quilômetros da Latin American Space Challenge (LASC), competição internacional realizada em São Paulo, entre os dias 2 e 5 de setembro, com a participação de cerca de 50 equipes de diferentes países e universidades.
A Kosmos levou para a competição dois foguetes e um satélite experimental. O Atlas foi desenvolvido para alcançar um apogeu de 3 quilômetros, enquanto o Deimos II foi projetado para atingir 1 quilômetro. Já a Pandora, um CubeSat 2U, foi desenvolvida para registrar dados de vibração durante a missão.
Apesar dos desafios enfrentados durante os lançamentos, a equipe conquistou a segunda colocação na categoria de 3 quilômetros com o Atlas. O Deimos II teve o voo considerado inválido e, durante a recuperação do Atlas, parte do foguete foi perdida.
Mais do que uma competição, a participação na LASC representa uma oportunidade para os estudantes colocarem em prática conhecimentos adquiridos ao longo da graduação e dentro da própria equipe.
Engenharia que sai da sala de aula
Física, cálculo, eletrônica, estruturas, propulsão, aerodinâmica e sistemas de recuperação são algumas das áreas que precisam funcionar de maneira integrada para que um foguete cumpra sua missão.
“Entrar em uma equipe de competição e ir numa competição como a LASC é realmente uma virada de chave”, explica Romis Junior, diretor corporativo da Kosmos Rocketry. Segundo ele, a experiência permite aos estudantes compreender, na prática, como diferentes áreas da engenharia se conectam para transformar um projeto em um sistema capaz de enfrentar condições reais.
Os projetos apresentados neste ano começaram a ser definidos após a participação da equipe na edição de 2025 e foram desenvolvidos ao longo de aproximadamente oito meses. Um dos principais avanços foi na área de eletrônica. Pela primeira vez, a Kosmos conseguiu desenvolver um sistema eletrônico funcional próprio.
62 estudantes em um projeto multidisciplinar
Atualmente, a Kosmos Rocketry reúne 62 estudantes. A maioria é da Engenharia Aeroespacial, mas o grupo também conta com acadêmicos de Engenharia Mecatrônica, Engenharia Naval, Ciência e Tecnologia e Engenharia Ferroviária.
A equipe possui uma estrutura organizada entre diretoria, gerências e setores responsáveis pelas diferentes áreas dos projetos e pela gestão. Para Romis, essa organização amplia a formação acadêmica ao desenvolver também competências relacionadas a planejamento, administração de recursos, trabalho em equipe e solução de problemas.
A experiência proporcionada pela LASC também ultrapassa a disputa entre as equipes. Durante o evento, participantes compartilham materiais, ferramentas e conhecimentos para auxiliar uns aos outros. A Kosmos, por exemplo, emprestou uma de suas barracas e materiais para outras equipes.
Aproximação com o Crea-SC
O Crea-SC mantém uma relação de aproximação com a equipe Kosmos Rocketry e já apoiou a participação dos estudantes em outras iniciativas, contribuindo para a construção de parcerias e oportunidades voltadas à formação profissional.
Parte dos integrantes da equipe também participa do CreaJr-SC, programa que aproxima o Conselho dos estudantes e estimula a integração entre a formação acadêmica e o exercício profissional.
A experiência da Kosmos mostra como projetos acadêmicos podem criar um ambiente para que futuros profissionais de engenharia enfrentem desafios concretos, desenvolvam soluções tecnológicas e trabalhem de forma integrada desde a universidade.

