
Em um cenário que reuniu inovação, conhecimento e articulação institucional, o Crea Summit 2026 consolidou-se como um dos principais eventos das engenharias, agronomia e geociências do Brasil. Realizado em março no Expocentro de Balneário Camboriú, o encontro mobilizou mais de 2,8 mil participantes ao longo de três dias intensos de programação, marcando uma virada na forma como o conhecimento técnico dialoga com o futuro das cidades.
Mais do que debates, o evento deixou um legado concreto: o lançamento do Caderno Cidades Ordenadas, uma publicação estratégica apresentada já na abertura oficial e que passa a ser entregue a lideranças públicas em todo o estado. Entre os destinatários está o prefeito de Florianópolis e presidente da Federação de Consórcios, Associações de Municípios e Municípios de Santa Catarina (Fecam), Topázio Neto.
O documento nasce com uma proposta clara: subsidiar decisões públicas com base técnica, oferecendo diretrizes para planejamento urbano, cidades inteligentes, sustentabilidade e gestão eficiente dos territórios. É a engenharia deixando de ser apenas suporte técnico para assumir papel protagonista na formulação de políticas públicas.
Caderno Cidades Ordenadas
Do papel à prática: engenharia como base para decisões públicas
O lançamento do Caderno Cidades Ordenadas simboliza um novo momento para o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina (Crea-SC). Mais do que um material técnico, a publicação representa uma ponte entre especialistas e gestores públicos.
Com propostas estruturadas e visão estratégica, o caderno reúne soluções aplicáveis à realidade dos municípios catarinenses, abordando desde o crescimento urbano organizado até o uso de tecnologia na gestão das cidades. A iniciativa reforça o papel do Conselho como articulador entre profissionais, instituições e poder público.
A entrega do material marca uma transição importante: o conhecimento debatido no evento passa a se transformar em ação concreta, com potencial de impactar diretamente a qualidade de vida da população.
Um encontro de conexões e inovação
Mais de 100 palestrantes e uma programação voltada ao futuro
O Crea Summit 2026 foi palco de discussões que refletem os desafios contemporâneos da engenharia. Com mais de 100 palestrantes, os painéis abordaram temas como transformação digital, industrialização da construção, segurança cibernética e inovação em processos.
A diversidade de participantes — entre setor público, iniciativa privada, academia e entidades de classe — fortaleceu o caráter multidisciplinar do evento. Para a engenheira Roberta Maas, o ambiente favoreceu a cooperação: “Foi um evento de muita interação e conexão entre as empresas. Houve uma mudança de postura, com mais colaboração e foco em oferecer melhores soluções para a sociedade.”
Feira Tecnológica
150 expositores e o ecossistema da inovação em movimento
Um dos grandes destaques foi a Feira Tecnológica, que reuniu cerca de 150 expositores, entre empresas, startups, instituições de ensino e órgãos públicos. O espaço consolidou-se como vitrine de tendências e ponto de encontro entre demanda e soluções oferecidas pelo mercado.
Com participação de entidades como Epagri, Ministério da Agricultura e Pecuária e Amcham Brasil, a feira reforçou a integração entre diferentes setores. Para o coordenador do espaço, Rodrigo Espíndola, o objetivo vai além da exposição: “Estamos promovendo uma mudança de mindset, conectando academia, tecnologia e engenharias tradicionais em um mesmo ambiente.”
O evento também reuniu iniciativas ligadas à inovação e ao empreendedorismo, com a presença de verticais da Acate e projetos do Sebrae. Entre os destaques, estiveram projetos acadêmicos e equipes estudantis, com demonstrações em robótica, automação e protótipos desenvolvidos para competições de engenharia. Projetos acadêmicos, robótica, automação e soluções digitais mostraram que o futuro da engenharia já está em construção — e cada vez mais integrado à tecnologia.
Plenária estratégica
Infraestrutura, inovação e o impacto das novas tecnologias
A plenária do evento aprofundou discussões sobre infraestrutura, mercado e transformação digital. Cases de grande escala, como o desenvolvimento do Senna Tower, evidenciaram o avanço do planejamento digital na construção civil.
Especialistas também destacaram temas como licitações públicas, liderança, internacionalização e reforma tributária, apontando desafios e oportunidades para o setor. O encerramento trouxe uma provocação sobre o futuro da profissão. Para Leandro Piazza, a adaptação é inevitável: “Não é modismo; é uma realidade transformadora. Não tem como um engenheiro projetar o futuro sem entender de inteligência artificial.”
Um legado que ultrapassa o evento
Ao final, o Crea Summit 2026 reafirma o papel do Crea-SC como protagonista na articulação entre conhecimento técnico, inovação e desenvolvimento econômico. Mais do que números expressivos, o evento deixa um legado estratégico: fortalecer a engenharia como instrumento de transformação social e posicionar Santa Catarina como referência na construção de cidades mais inteligentes, sustentáveis e organizadas.
O futuro das cidades, ao que tudo indica, já começou — e está sendo projetado agora.
Painel Tech 2
Transformação digital redefine a atuação profissional
O Painel Tech 2 do Crea Summit 2026 evidenciou que a transformação digital deixou de ser tendência para se tornar uma realidade consolidada na engenharia e na agronomia. O debate apontou que a adoção de novas tecnologias exige não apenas atualização técnica, mas uma mudança profunda de mentalidade e revisão de processos.
Especialistas destacaram que inovar vai além da automação. Trata-se de repensar modelos de trabalho. Para Éderson Pedro, o processo de inovação envolve tentativa e erro: “Errar é o caminho para o acerto”. Já Rodrigo Holl reforçou a necessidade de romper com práticas tradicionais, enquanto Denis Valente destacou que a transformação passa por fazer diferente aquilo que sempre foi feito da mesma forma.
Construção do futuro
Industrialização, sustentabilidade e novos sistemas construtivos
No campo da construção civil, o painel trouxe o método CREE como exemplo de inovação aplicada. O engenheiro Diamantino Santos apresentou um modelo híbrido que combina madeira e concreto com sistemas pré-fabricados e montagem fora do canteiro de obras.
A proposta amplia produtividade, reduz desperdícios e incorpora princípios de economia circular, além de introduzir o conceito de “design for change”, que prevê edificações adaptáveis ao longo do tempo. Segundo o especialista, o futuro da construção depende menos de materiais e mais da capacidade dos profissionais em pensar de forma sistêmica.
Segurança digital na engenharia
Infraestruturas inteligentes exigem proteção desde a origem
Com o avanço das cidades inteligentes e sistemas integrados, a segurança cibernética foi apontada como um dos principais desafios contemporâneos. O painel trouxe um alerta sobre vulnerabilidades em projetos cada vez mais digitalizados.
Para Ramicés dos Santos, a proteção deve ser incorporada desde a concepção dos projetos. Questões como phishing, segurança de redes e capacitação de usuários passam a integrar o escopo técnico das engenharias.
A orientação é clara: todos os sistemas devem ser considerados críticos, e a prevenção é o caminho mais eficiente — e acessível — para evitar incidentes.
Perícias Judiciais
Seminário fortalece atuação técnica e lança manual orientativo
Com mais de 500 participantes, o Seminário de Perícias Judiciais destacou a importância do trabalho técnico no apoio às decisões do Judiciário. A abertura contou com a participação da engenheira Kamila Rodrigues da Silva.
Um dos marcos do encontro foi o lançamento do Manual de Orientação aos Profissionais do Sistema Confea/Crea/Mútua, apresentado por Silvania Miranda do Amaral. O documento busca orientar peritos e assistentes técnicos quanto a responsabilidades legais, ética profissional e elaboração de laudos.
Engenharia e Justiça
Clareza técnica é essencial para decisões judiciais
A relação entre engenharia e sistema judicial foi um dos pontos centrais do seminário. O juiz Guilherme Mazzuco Portela destacou que o laudo pericial precisa ser claro e objetivo, acessível também a quem não possui formação técnica.
Já o desembargador Cesar Luiz Pasold reforçou a importância de documentos bem fundamentados, com linguagem precisa, ética e foco na análise técnica. A atuação do assistente técnico também foi evidenciada como peça-chave no processo.
Mercado em expansão
Perícias se consolidam como oportunidade para engenheiros
O seminário também apontou um cenário promissor para profissionais que atuam com perícias. A demanda crescente abrange diversas áreas da engenharia, como civil, elétrica, mecânica, segurança do trabalho e ambiental.
A presidente do Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia, Andrea C. Klüppel Munhoz Soares, destacou que a qualificação contínua é essencial para garantir a qualidade dos laudos e evitar injustiças.
Além disso, a integração entre peritos, advogados e magistrados foi apontada como fundamental para assegurar decisões mais precisas e embasadas tecnicamente, reforçando o papel estratégico da engenharia no sistema de Justiça.

