A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) trouxe uma nova frente de atenção para a fiscalização da segurança do trabalho: os riscos psicossociais relacionados às atividades profissionais. A mudança amplia o monitoramento dos ambientes de trabalho e exige dos profissionais da área novas estratégias para identificar, avaliar e acompanhar fatores que possam afetar a saúde e a segurança dos trabalhadores.
O tema foi discutido na última semana durante reunião da Coordenadoria de Câmaras Especializadas de Engenharia de Segurança do Trabalho (CCEEST), realizada em São Luís (MA). Durante o encontro, o Crea-RJ apresentou uma proposta de normativo com o objetivo de estabelecer procedimentos técnicos e padronizados para a identificação e o monitoramento dos riscos psicossociais nas atividades de fiscalização.
Para o coordenador nacional da CCEEST, engenheiro mecânico e de segurança do trabalho Diego Rosa dos Santos, do Crea-MA, a atualização da norma é uma das prioridades da coordenadoria em 2026. Segundo ele, embora cada estado tenha características próprias, é necessário garantir maior uniformidade nos procedimentos adotados pelos conselhos. “As regiões têm particularidades, mas os procedimentos de fiscalização precisam ser uniformizados e harmônicos”, afirma Diego Rosa.
De acordo com o coordenador, a proposta apresentada pelo Crea-RJ prevê diretrizes técnicas mínimas para orientar os profissionais na identificação, avaliação e monitoramento dos fatores de risco psicossocial relacionados ao trabalho. A expectativa é que a padronização contribua para qualificar as avaliações e fortalecer a atuação dos profissionais que integram o Sistema Confea/Crea.
Tecnologia como aliada da fiscalização
Outro ponto debatido durante a reunião foi o uso de ferramentas tecnológicas para organizar e analisar dados das ações de fiscalização. Creas como os de Santa Catarina e do Maranhão já utilizam sistemas de tratamento de informações que permitem acompanhar as atividades em tempo real e obter um panorama consolidado das fiscalizações.
Para Diego Rosa, o uso de dados facilita o planejamento das ações e auxilia as câmaras especializadas na tomada de decisões. “Quando temos um volume de dados, isso facilita a gestão das ações. As tecnologias que nos ajudam a captar e tratar esses dados concentram melhor a definição das ações e vão alavancar o processo de fiscalização dos Creas na área de segurança do trabalho”, destaca.
A troca de experiências entre os diferentes conselhos também foi apontada como importante para aprimorar os mecanismos de fiscalização e ampliar a eficiência das ações em segurança do trabalho.
Desafios operacionais
Durante as discussões, os representantes dos Creas também relataram dificuldades enfrentadas no dia a dia da fiscalização. Entre os principais desafios estão o número limitado de fiscais diante do volume de atribuições, as dificuldades de deslocamento e a ausência de estruturas regionais em determinadas localidades.
Segundo Diego Rosa, a concentração das estruturas administrativas nas capitais pode dificultar a descentralização das ações, especialmente em estados com grandes extensões territoriais. Por isso, ele defende que as metas nacionais de fiscalização considerem as particularidades e a capacidade operacional de cada conselho.
Expectativa de novas diretrizes
A CCEEST volta a se reunir em novembro. A expectativa é que, até o fim do ano, sejam consolidadas propostas voltadas à uniformização e à padronização dos procedimentos de fiscalização na área de segurança do trabalho.
A discussão sobre os riscos psicossociais e a atualização da NR-1 deverá permanecer entre os principais temas da coordenadoria, que já abordou a questão nas três primeiras reuniões realizadas em 2026.

