Autor: Juliano Nascimento
A. Fiscal Sistema Confea/Crea
Adm de Empresas/Esp. Gestão Pública e Gestão de Pessoas
Eng. Civil (2023/27) Unisul
@julianonascimento10
Resumo
Santa Catarina (SC) é um hub logístico e econômico vital, com forte indústria e intensa participação no comércio exterior, especialmente com o Mercosul. Contudo, a excessiva dependência do modal rodoviário e a deterioração da malha viária impõem severos gargalos à competitividade. Este artigo técnico diagnostica a infraestrutura rodoviária de SC, quantifica os problemas logísticos e propõe soluções de médio e longo prazo, com foco na transição para um sistema de transporte multimodal, conforme planos estratégicos como o Plano Estadual de Logística de Transportes (PELT 2050) 2 e a Agenda Estratégica da FIESC (2025-2028).
1. Introdução
SC possui um PIB diversificado e um setor industrial robusto. Sua posição estratégica a torna um corredor essencial para o comércio com o Mercosul, via Dionísio Cerqueira, e para o comércio marítimo, através de seu complexo portuário (Itajaí, Navegantes, São Francisco do Sul, Imbituba, Itapoá). A infraestrutura rodoviária, principal modal de escoamento de cargas do Oeste (agroindústria) para o Litoral (exportação), não acompanhou o crescimento da demanda, resultando em custos logísticos elevados e perda de competitividade.
2. O Diagnóstico da Malha Rodoviária Catarinense: Gargalos e Impactos
A malha rodoviária (BRs e SCs) é o principal vetor de escoamento, mas sua situação é crítica. Levantamentos da CNT 3 e FIESC indicam que grande parte das rodovias apresenta condições ruins ou péssimas.
Os principais gargalos afetam diretamente as regiões mais produtivas:

| Rodovia | Regiões Afetadas | Problema Central | Impacto Econômico |
| BR-282 | Oeste, Meio-Oeste | Espinha dorsal saturada, má conservação | Alto custo logístico para a cadeia da proteína animal e agronegócio, dificuldade no comércio com o Mercosul. |
| BR-470 | Vale do Itajaí, Alto Vale | Saturação, necessidade de duplicação, vulnerabilidade a enchentes | Atrasos no acesso aos portos, prejuízos por interrupções em períodos de cheia. |
| BR-101 | Litoral, Norte, Sul | Saturação em acessos portuários e grandes centros urbanos | Congestionamentos, lentidão no escoamento de cargas. |
O impacto econômico é severo. A FIESC estima que seriam necessários R$ 54,6 bilhões até 2028 em investimentos em infraestrutura de transporte, com a maior parte (R$ 39,35 bilhões) destinada ao modal rodoviário. O custo logístico imposto pela baixa qualidade das vias compromete a margem de lucro e a competitividade internacional dos produtos catarinenses.
3. A Visão de Longo Prazo: Soluções Multimodais e Planejamento Estratégico
O planejamento de longo prazo e a diversificação da matriz de transportes são cruciais.
3.1. O Plano Estadual de Logística de Transportes (PELT 2050)
O novo PELT, com horizonte até 2050, visa transformar a matriz logística, reduzindo a dependência rodoviária e promovendo a intermodalidade. Seus objetivos incluem a modernização dos modais e a redução dos custos logísticos.
3.2. A Agenda Estratégica da FIESC (2025-2028)
A Agenda da Indústria prioriza projetos que promovam a intermodalidade:
•Prioridade Rodoviária: Conclusão de obras estruturantes (e.g., Programa Estrada Boa).
•Ferrovias: Expansão da malha, com o projeto do Complexo Ferroviário do Sul do Brasil como solução de longo prazo para ligar o Oeste ao Litoral de forma eficiente e sustentável.
•Hidrovias e Cabotagem: Investimento em projetos como a ViaMar e hidrovias interiores (e.g., Rio Itajaí-Açu) para desafogar as rodovias litorâneas.
4. O Papel do Mercosul e do Comércio Exterior
A infraestrutura de SC é vital para o comércio exterior. O Corredor Logístico do Mercosul depende da melhoria da BR-282 e das conexões com o Oeste para a fluidez do comércio terrestre com Argentina e Paraguai. A Competitividade Portuária exige a integração porto-ferrovia-rodovia para garantir a rápida e segura movimentação de cargas no complexo portuário.
5. A Contribuição da Engenharia Catarinense
A superação dos desafios logísticos exige a atuação proativa da engenharia local, com expertise em diversos setores:
•Engenharia de Transportes e Logística: Modelagem de tráfego, otimização de rotas multimodais e estudos de viabilidade para novos modais (ferrovias, hidrovias).
•Engenharia Civil e de Infraestrutura: Inovação em técnicas de pavimentação e construção resilientes a eventos climáticos (cheias), e incorporação de tecnologias de monitoramento estrutural em obras de arte especiais.
•Engenharia de Software e Automação: Criação de Sistemas Inteligentes de Transporte (ITS) para gestão de tráfego e otimização da operação portuária, digitalizando processos logísticos e aduaneiros.
•Engenharia Ambiental: Desenvolvimento de soluções sustentáveis, como o uso de materiais reciclados na pavimentação e a minimização do impacto ambiental em novas construções.
A colaboração entre universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo é o motor para transformar o conhecimento técnico em soluções concretas.
Assim, podemos concluir que a superação dos desafios da infraestrutura rodoviária de Santa Catarina exige uma mudança de paradigma para um sistema de transporte verdadeiramente multimodal e integrado. O planejamento de longo prazo (PELT 2050) e a articulação setorial (Agenda FIESC) são cruciais. Investimentos maciços em rodovias, ferrovias e hidrovias, com o apoio da engenharia catarinense, são uma estratégia de desenvolvimento que garantirá a competitividade econômica de SC nas próximas décadas.
Referências
FIESC. Agenda Estratégica da Indústria para Infraestrutura de Transporte e Logística Catarinense (2025-2028). Disponível em: https://fiesc.com.br/sites/default/files/publications/agenda-estrategica-infraestrutura-2025.pdf
Governo de Santa Catarina. Plano Estadual de Logística de Transportes (PELT 2050). Disponível em: https://www.spaf.sc.gov.br/plano-estadual-de-logistica-de-transportes-propoe-planejamento-logistico-para-sc-ate-2050/
Confederação Nacional do Transporte (CNT). Pesquisa CNT de Rodovias. Disponível em: https://pesquisarodovias.cnt.org.br/
FIESC. SC precisa investir R$ 54,6 bilhões até 2028 para resolver infraestrutura, diz FIESC. Disponível em: https://fiesc.com.br/pt-br/imprensa/sc-precisa-investir-r-546-bilhoes-ate-2028-para-resolver-infraestrutura-diz-fiesc
Governo de Santa Catarina. Programa Estrada Boa. Disponível em: https://estado.sc.gov.br/noticias/estrada-boa-governo-de-santa-catarina-amplia-frentes-de-trabalho-no-medio-vale-do-itajai/Governo de Santa Catarina. Plano Estadual de Logística e Transporte de Santa Catarina (PELT-SC). Florianópolis, 2013. Disponível em: file:///C:/Users/julia/Downloads/Relatorio-Outubro-3010.pdf

