Por Osni R. Mello
Árvores: já plantou várias em seus tantos projetos urbanísticos. Filhos: tem três e seis netos. O livro: será lançado em breve. Esta apresentação fala muito sobre a trajetória do engenheiro civil Dilnei Silva Bittencourt, que aos 75 anos está prestes a completar este singelo ideal de vida que parece fácil, mas nem todos conseguem alcançar.
Dilnei está fazendo as últimas correções na obra referência: Edifícios Industriais, que tem previsão de lançamento para o mês de julho, durante o CREA Summit 2025, que será realizado nos dias 25 e 26 no Expocentro Balneário Camboriú.
“O Brasil só vai crescer se valorizar a engenharia. Precisamos de mais profissionais escrevendo, ensinando e inovando.”
A obra tem tudo para se tornar referência, porque Dilnei não está apenas escrevendo um livro, mas documentando tudo que viveu nos seus 50 anos de ofício, como a construção de mais de 1 milhão de metros quadrados de edificações industriais.
O livro trata prioritariamente de edifícios industriais, mas traz toda a bagagem de Dilnei com a criação de espaços urbanos, como a Cidade Pedra Branca e o recém-lançado Passeio Bocaiuva. Nesta entrevista, Dilnei fala sobre o livro e faz uma análise da sua importância para o momento em que vive a engenharia.
Revista da Engenharia – Por que escrever um livro sobre engenharia?
Dilnei – A leitura é fundamental. O primeiro backup da humanidade foi o livro, porque, quando não existia a escrita, o pai passava para o filho, que passava para o neto, e as informações se perdiam. Com a escrita e os livros, o que foi aprendido fica registrado, e quem vai aprender pega dali para frente. No entanto, no Brasil, não valorizamos nossa engenharia nem nossa produção técnica. Somos um país que copia tecnologia – e, muitas vezes, cópia mal. Quando o Brasil resolve investir em pesquisa e desenvolvimento, os resultados aparecem, como na agricultura e na indústria aeronáutica, onde somos referência mundial. Mas por que não fazemos o mesmo em outras áreas?
RE – Como você vê a engenharia brasileira em comparação ao resto do mundo?
Dilnei – Para mim, falta valorização dos profissionais. A China, por exemplo, tem 7 milhões de engenheiros. A BYD, uma empresa chinesa de carros elétricos, tem 110 mil engenheiros, metade dedicados a P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), e registrou 30 mil patentes em 30 anos, cerca de três patentes por dia útil. No Brasil, há apenas 170 mil estudantes de engenharia; em 2015, eram 360 mil. Apenas 4% dos universitários estudam engenharia, contra 25% em países como Coreia e Japão. Na Unisul, há cinco anos, tínhamos 1.000 alunos de engenharia; hoje, são apenas 300. Isso reflete o desprestígio da profissão e a falta de investimento em educação técnica.
RE – Por que o ensino de engenharia no Brasil enfrenta tantos problemas?
Dilnei – Um dos problemas é o ensino à distância. Engenharia exige prática. Como um aluno vai aprender a subir uma escada, a soldar um fio, a misturar dois materiais, só pela tela de um computador? Sem falar que falta base matemática. O aluno chega à universidade sem preparo. Como vamos formar bons engenheiros se a escola básica não ensina o essencial?

RE – Como está o mercado de literatura técnica?
Dilnei – Falta literatura técnica no Brasil. No ano passado, o Brasil publicou 45 mil livros de direito, mas apenas 300 eram de engenharia, e metade destes, reedições. Fora da academia, quase ninguém escreve livros técnicos. E o conhecimento se perde quando os profissionais não registram suas experiências. Em Santa Catarina, temos excelentes engenheiros e indústrias inovadoras, como a WEG, a maior fabricante de equipamentos elétricos do mundo, e a Portobello, referência em cerâmica. Mesmo assim, quase não produzimos livros técnicos no estado.
RE – O que lhe motivou a escrever um livro?
Dilnei – Primeiro, falar bem da engenharia e da sua importância. Segundo divulgar o que eu já aprendi e, terceiro, a necessidade de passar meu conhecimento para as gerações futuras. Eu conheci profissionais como o meu amigo Celso Prates, um engenheiro especialista em fundações, que do Rio Grande do Sul ao Paraná sabia de tudo. Mas ele acabou morrendo sem registrar seu conhecimento. Não podemos deixar que isso aconteça. Quem tem experiência tem a obrigação de deixar um legado – não só em obras, mas em cultura técnica.
RE – Qual é o formato do livro?
Dilnei – O livro é um legado para a engenharia. Seu público-alvo são: projetistas, empresários e estudantes de engenharia e arquitetura. Aborda todas as etapas da construção de galpões: terreno, fundação, sustentabilidade, etc., e inclui quatro casos reais de empreendimentos, com as soluções aplicadas. Eu prefiro o livro em papel porque é tangível, fácil de consultar e marca presença. Terá fotos coloridas e linguagem acessível. A versão digital será lançada posteriormente.
Ficha Técnica
Título: Edifícios Industriais
Autor: Dilnei Silva Bittencourt
Páginas: 200 páginas
Idioma: Português
Editora: Santa Editora

