Cidade Pedra Branca, Passeio Primavera, Sapiens Parque… Só que tem no portifólio uma lista de projetos de referência como estes, poderia propor a substituição de uma quadra inteira de construções antigas, negócios e histórias de vida, por um empreendimento que será a vitrine da “Nova Bocaiúva”.
Estamos falando da Hurbana, que há mais de dois anos desenvolve o projeto de criação do Passeio Bocaiúva. Empreendimento que irá substituir as antigas construções da quadra entre as travessas Abilio de Oliveira e Carreirão por um Passeio, com Pátio residencial, escritórios e lojas. Num conceito de espaço totalmente aberto ao público na sua parte térrea.

A Revista da Engenharia conversou com o engenheiro civil Dilnei Silva Bittencourt, Conselheiro e Consultor da Hurbana, que nos revelou detalhes do projeto que está em andamento. Projeto que tem previsão para cinco anos de obras e vai exigir o trabalho de um batalhão de 200 profissionais, apenas na área técnica de engenharia.
Dilnei revela que na Pedra Branca o requisito de projeto foi de expansão da cidade e colocaram tudo o que é importante para que o cidadão viva com qualidade – um macro urbanismo. Na Bocaiúva Hurbana está pensando mais em ocupar espaços vazios promovendo um micro urbanismo.

“Então, esta quadra aqui era 100% cercada por prédios, no ponto mais atraente da cidade, de frente para a beira-mar, do lado do quartel do exército, perto de hospital e escola, mas um amontoado de pequenas casas que tinham excesso de serviços públicos sendo ofertados e subaproveitados. Compramos ou permutamos praticamente toda a quadra, mais de 6 mil metros quadrados, e no lugar teremos edificações com opções de trabalho, moradia e lazer no mesmo lugar”, observou.
Bocaiúva ganha uma praça
Mas não são apenas os moradores e trabalhadores do novo empreendimento que se beneficiam dos atributos do projeto. De acordo com Dilnei o espaço térreo de toda a quadra será aberto ao público. “Sem muros ou porteiro eletrônico. Exatamente como estão funcionando o Emporio Bocaiúva, Confeitaria Chuvisco, Boteco da Ilha, Ene Sushi e Bike Dream. Negócios que estavam na área do projeto e passaram a funcionar temporariamente na Casa Hurbana, onde também estão os escritórios da empresa e um auditório. Operações que uma vez concluído o projeto, passam a integrar o Passeio Bocaiúva.
Túnel de vento
O projeto de criação do Passeio Bocaiúva tem vários desafios para a engenharia. O primeiro deles conciliar o trabalho de mais de 200 profissionais nas diversas disciplinas. Trabalhos como a utilização de um túnel de vento no Canadá para avaliar as edificações. “Esse projeto está envolvendo um desafio enorme de engenharia, como um prédio alto um fator determinante no seu desenho é a estrutura. Então criamos um modelo. Para cada disciplina temos um profissional líder, um para avaliar e um terceiro para reavaliar”, explicou Dilnei.
Planejamento Porsche
Um projeto desta magnitude envolve um batalhão de pessoas e de variáveis. Para auxiliar no planejamento da obra a Hurbana contratou os serviços da Porsche Consulting. “Como a gente faz uma obra cercada pelo ambiente urbano que não incomode os vizinhos? Por isso temos quatro empresas trabalhando apenas para fazer o melhor tipo de fundação. E assim será para todas as partes do projeto: fachada, revestimento, elétrica, segurança, água, esgoto, resíduos, estrutura, elevador, geradores, elétrica, telecomunicações, é muita coisa, é muita complicação. Mas temos empresas de engenharia só para coordenar isso tudo, além dos profissionais da Hurbana”, afirmou.
Um empreendimento, uma marca

O Presidente da Hurbana, o engenheiro Marcelo Conssoni Gomes, também falou sobre o desafio de tentar recriar o microcosmo da Pedra Branca em uma quadra no centro de Florianópolis.
“Na Pedra Branca nos preocupávamos se tinha mosquito na praça e com o barulho dos aviões do aeroclube. No Passeio Primavera, em fazer um ambiente inovador para essa gurizada de startup. Aqui percebemos que existia conhecimento e ideias desses 20 anos de trabalho e pesquisas para aplicar em um centro urbano consolidado”, revela Gomes, observando que a tarefa é desafiadora por que precisavam respeitar o peso do endereço que já existe.

“Então a Casa Hurbana, onde gente está conversando, é para mostrar para as pessoas o que vem por aí. Que o futuro Passeio vai ter essa mesma preocupação de bairro que a gente tinha lá na Pedra Branca. E aqui vale muito a história do livro do Jaime Lerner, que é a acupuntura urbana. Para arrumar e ajudar a melhorar o centro de Florianópolis e essa região da Bocaiúva como um todo”, observou Gomes, revelando que o maior desafio do negócio foi convencer os proprietários a sonhar junto e o segundo colocar no projeto os diversos conceitos e aprendizados.
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