Ao participar do Global Innovators’ Zhejiang Tour 2025, na China, entre os dias 16 e 19 de dezembro, tive a oportunidade de observar, de perto, como a inovação ganha escala quando ciência, indústria e políticas públicas caminham de forma integrada. A abertura institucional, conduzida pelo Yangtze Delta Region Institute of Tsinghua University, deixou claro que não se trata apenas de pesquisa acadêmica, mas de um modelo estruturado para transformar conhecimento em soluções concretas, com impacto econômico e social.
O instituto atua como uma verdadeira ponte entre universidades, empresas e governos. Em Zhejiang, essa lógica se materializa em investimentos robustos em ciência aplicada, projetos industriais escaláveis e atração de talentos globais. São bilhões de yuans destinados a iniciativas que conectam laboratórios a fábricas, pesquisadores a empreendedores, ideias a produtos. Esse encurtamento do caminho entre teoria e prática é, talvez, a principal lição que o Brasil pode absorver.
Chamou atenção o papel estratégico da energia, tratada como plataforma de desenvolvimento. A integração entre transição energética, digitalização e inteligência artificial aparece como eixo central da nova economia chinesa. O mesmo vale para a infraestrutura hídrica, hoje apoiada por sistemas inteligentes capazes de monitorar riscos climáticos e garantir segurança urbana, industrial e alimentar. Não se fala apenas em grandes obras, mas em gestão baseada em dados, tecnologia e previsibilidade.
Outro destaque foi a visita a ecossistemas como o da Alibaba e da Future Sci-Tech City, onde inovação não é um discurso, mas parte do cotidiano. Governança clara, cultura organizacional orientada a propósito e uso intensivo de inteligência artificial mostram como empresas e territórios podem crescer sem perder visão de longo prazo. A tecnologia, ali, serve às pessoas, à produtividade e ao impacto social.
Nesse contexto, a engenharia assume papel central. É ela que traduz ciência em infraestrutura, inovação em soluções reais e estratégia em execução. Seja na energia limpa, na mobilidade, na água, na indústria ou na saúde, a engenharia é o elo que conecta visão de futuro com resultados concretos. Valorizar a engenharia é, portanto, investir em desenvolvimento sustentável, soberania tecnológica e qualidade de vida. Países que compreendem isso estruturam políticas públicas, ecossistemas e mercados capazes de gerar prosperidade de forma consistente.
O Brasil foi citado reiteradamente como parceiro estratégico, especialmente em áreas como energias renováveis, biotecnologia, inteligência artificial e cidades inteligentes. A apresentação de Florianópolis como polo de inovação reforçou que temos ativos relevantes, criatividade e capacidade técnica. O desafio está em estruturar ambientes mais favoráveis à cooperação internacional e à transformação da engenharia em vetor permanente de desenvolvimento.
Volto dessa missão convicto de que a engenharia brasileira precisa ocupar esse espaço global, conectando-se a redes internacionais de inovação, sem abrir mão de seu compromisso com a sociedade. O futuro será cada vez mais colaborativo — e quem entender isso antes, liderará.
Eng. Kita Xavier
Presidente do CREA-SC

