A economia azul é um movimento global que promove o desenvolvimento sustentável, valorizando mares, rios e zonas costeiras. A ideia é crescer sem deixar de cuidar dos ecossistemas aquáticos. Em Santa Catarina, com mais de 500 km de litoral, essa proposta ganha força. Falamos de atividades como pesca, turismo, aquicultura, biotecnologia marinha e energias renováveis — áreas com grande potencial de crescimento e que demandam soluções inteligentes e sustentáveis. A engenharia está no centro desse processo, oferecendo caminhos práticos para o uso consciente do nosso litoral.
O Sebrae se juntou ao movimento da economia azul, conectando pessoas, empresas e profissionais para impulsionar esse desenvolvimento. Em 25 de março, foi dado um importante passo com a assinatura do Manifesto da Governança Estadual da Economia Azul. Vários municípios litorâneos também aderiram ao projeto, que fortalece setores como pesca, aquicultura, turismo e indústria náutica. Trata-se de um esforço coletivo que envolve governo, setor produtivo, universidades e população, com o objetivo de promover um futuro melhor para nossa costa.
Como engenheira, sinto-me parte desse processo. Além disso, como presidente do Senge-SC, tive a honra de conduzir a adesão do nosso sindicato ao movimento. A valorização profissional e o conhecimento qualificado são essenciais para contribuir com o crescimento sustentável do litoral catarinense. Nosso trabalho abrange desde o desenvolvimento de soluções para os impactos das mudanças climáticas até melhorias em saneamento, drenagem e mobilidade das cidades costeiras.
Santa Catarina tem tudo para ser referência em economia azul. Temos uma forte ligação com o mar e um setor produtivo experiente nas atividades marítimas. E os resultados já aparecem. Na temporada 2024/2025, conquistamos 25 certificações da Bandeira Azul, o maior número do país. Mais da metade das praias e quase três quartos das marinas certificadas do Brasil estão aqui.
Também somos destaque na produção de moluscos e camarões. Nossos portos têm papel estratégico e precisam evoluir com tecnologia e responsabilidade ambiental. E não há como falar em desenvolvimento costeiro sem citar o saneamento. Praias limpas e balneabilidade são essenciais para impulsionar o turismo de forma segura.
A economia azul é uma oportunidade real de progresso. No entanto, isso só será possível com a união de ciência, engenharia, políticas públicas e comunidade. Santa Catarina conta com o conhecimento, os profissionais e os recursos naturais necessários. Agora, é hora de avançar, unindo inovação, tecnologia e sustentabilidade para ampliar nosso potencial.
Por Roberta Maas dos Anjos, engenheira civil e sanitarista

