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    Cientistas catarinenses desenvolvem pesquisa inédita de fertilização no mundo

    Eletro-fertilização, tecnologia totalmente brasileira, promete revolucionar o processo de fertilização e diminuir a dependência dos insumos importados
    Osni Ribeiro MelloBy Osni Ribeiro Mello16 de janeiro de 2026Updated:16 de janeiro de 20268 Mins Read
    Cientista e pesquisador Dr. Charles Adriano Duvoisin
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    Por Osni Ribeiro Mello

    A Revista da Engenharia entrevistou com exclusividade o cientista Dr. Charles Adriano Duvoisin, autor da também inédita, no mundo, tecnologia da eletro-fertilização. Tecnologia que já tem patentes registradas e conta com a participação da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc),do seu ex-reitor Dr. Dilmar Baretta e parceiros na iniciativa privada.

    Duvoisin inicia revelando que a eletro-fertilização nasceu da evolução de uma série de inventos que ele desenvolveu ao longo dos anos em parceria com Baretta. “Tudo começou em 2012, quando conheci a UDESC de Chapecó e o Dr. Dilmar. A partir desse encontro, iniciamos o desenvolvimento da eletro-pasteurização, tema que viria a se tornar o foco do meu doutorado”, observou.

    “Com o avanço de pesquisa, o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), da Unicamp, solicitou que fizéssemos uma comprovação importante: Se a metodologia utilizada — baseada em campos elétricos pulsados — poderia causar prejuízos ao ser humano quando aplicada aos alimentos”, conta Duvoisin, observando que a questão o levou a um estudo de mestrado e que os resultados surpreenderam positivamente.

    “Contrariando a preocupação inicial, verificamos que esse armazenamento eletroestático fazia bem aos animais que consumiram água eletro-energizada. Além disso, também observamos que plantas submetidas a um sistema de irrigação controlado e eletro-energizado apresentavam um crescimento mais rápido. Com todas essas evidências em mãos, realizamos diversos depósitos de patentes. Ao mesmo tempo percebemos o enorme potencial de desenvolver um eletro-fertilizante que correspondesse aos resultados positivos obtidos nessas pesquisas”, argumentou.

    Confira a seguir a entrevista com o pesquisador.

    Revista da Engenharia – Qual o princípio científico por trás da técnica e como a eletricidade influencia na absorção de nutrientes pelas plantas?

    Charles Adriano Duvoisin – O princípio científico por trás desta inovação está baseado na propriedade capacitiva elétrica — também conhecida como dinâmica das armadilhas de elétrons — que permite a geração de um diferencial de potencial elétrico controlado e direcionado. Em termos práticos, significa que conseguimos promover o armazenamento de elétrons no meio, tornando-o mais negativo e, consequentemente, mais alcalino. Da mesma forma, também é possível obter o efeito inverso, realizando o sequestro desses elétrons e acidificando o meio.

    Esse controle preciso nos permite criar vantagens importantes em termos de gestão iônica: podemos tornar o meio mais alcalino ou mais ácido, ultrapassando inclusive os limites convencionais de pH. Em outras palavras, torna-se viável produzir superácidos ou superbases quando esse for o objetivo. Tudo isso de maneira sustentável e segura.

    É importante destacar que essa alteração de pH ocorre independentemente do uso de agentes químicos. Ela depende exclusivamente do controle e do direcionamento do fluxo de corrente elétrica no meio — exatamente como ocorre no efeito das garrafas de Leyden, princípio que deu origem aos capacitores elétricos. Por esse motivo, este invento se consolidou como uma inovação econômica, limpa e sustentável.

    Ex-reitor da UDESC, Dilmar Baretta

    CAD – O projeto de P&D está na fase final de testes de performance e de regulamentação. Após 12 anos de pesquisas em parceria com a UDESC, temos segurança científica para avançar à etapa final de testes de produto e posterior inserção no mercado. Embora já estejamos conduzindo ensaios padronizados para certificação, seguimos desenvolvendo subprodutos e aprimoramentos, dada a natureza disruptiva da tecnologia.

    A inovação permite utilizar minérios nacionais in natura, normalmente pouco solúveis, viabilizando sua eletro-solubilização por meio do efeito das armadilhas de elétrons. Esse avanço pode reduzir significativamente a dependência do Brasil da importação de fertilizantes, com impacto direto na economia e na produtividade agrícola.

    Embora alguns detalhes industriais precisem permanecer resguardados neste momento, o propósito maior dessa tecnologia é claro: contribuir para fortalecer ainda mais o agronegócio brasileiro e mundial.

    RE – Onde, no mundo, essa pesquisa está sendo realizada?

    CAD – A patente de invenção já foi depositada e sua busca de anterioridade confirmou ineditismo mundial. Dessa forma, o desenvolvimento está concentrado no Brasil, que detém prioridade comercial e científica sobre a tecnologia.

    RE – Quem está participando da pesquisa: pessoas e entidades?

    CAD – Por motivos de sigilo e contratos confidenciais, não é possível divulgar investidores. No entanto, a pesquisa conta com a parceria central do Dr. Dilmar Baretta, da UDESC, além de equipes conveniadas que participam de forma técnica e criteriosa.

    RE – Quais culturas demonstram melhores resultados com eletro-fertilização?

    CAD – Os resultados têm sido positivos em diversas culturas, com desempenho superior observado especialmente em leguminosas. Ainda assim, a tecnologia é aplicável a todos os tipos de cultivo, com variação apenas na intensidade da resposta.

    RE – Qual o investimento necessário e o custo operacional?

    Resultados da pesquisa da dissertação de mestrado na UDESC em 2019

    CAD – O objetivo é disponibilizar a tecnologia de forma acessível, com custos baixos e ampla viabilidade. O sistema foi planejado para ser simples, escalável e compatível com práticas modernas, incluindo o uso de drones, que reduzem dependência de máquinas pesadas e combustíveis fósseis. A tecnologia também possibilita a utilização de resíduos minerais de mineradoras, que, ao serem eletro-solubilizados, tornam-se fontes eficientes para remineralização de solos, promovendo sustentabilidade e agregando valor ambiental e econômico.

    RE – Como a tecnologia será implementada na prática?

    CAD – A tecnologia foi concebida para ser de fácil operação, adaptável a diferentes sistemas produtivos e escalável conforme feedback do mercado. A instalação e o uso são simples e não exigem equipamentos complexos, garantindo acessibilidade a pequenos, médios e grandes produtores.

    RE – Quais os ganhos comprovados?

    CAD – Os dados consolidados serão divulgados no lançamento do produto, acompanhados de estudos comprobatórios. Contudo, após mais de uma década de pesquisa, já observamos resultados promissores que apontam para ganhos significativos em produtividade e eficiência. Imagens e registros da UDESC comprovam a efetividade observada nos testes.

    RE – Quais as vantagens ambientais frente à fertilização química?

    CAD – A tecnologia permite utilizar minérios presentes em resíduos de pó de rocha de forma controlada, graças à eletro-solubilização proporcionada pelas armadilhas de elétrons. Isso favorece a remineralização sustentável dos solos, reduz a necessidade de fertilizantes sintéticos e amplia o aproveitamento das reservas minerais brasileiras.
    Parcerias com a UDESC e com o Dr. Baretta também desenvolvem o uso de micro-organismos em sinergia com o processo, criando um mecanismo bioativo adicional. A tecnologia opera sem agentes químicos, baseando-se apenas em efeitos físicos de armazenamento eletrostático, o que reduz riscos de contaminação e toxicidade.

    RE – Quais os principais desafios e limitações?

    CAD – Não foram identificadas limitações relevantes quanto à tipo de solo ou clima, e a tecnologia é economicamente viável em escala. Os principais desafios estão na disseminação de informação, na conquista de credibilidade e no entendimento técnico por parte do setor, como ocorre com toda inovação disruptiva.

    RE – Existe regulamentação ou certificação específica?

    CAD – Os testes e ensaios para regulamentação estão em andamento, e estimamos obter todas as aprovações no início de 2026. Os resultados de performance serão divulgados de forma transparente, mantendo o compromisso contínuo com a pesquisa e o desenvolvimento de novos produtos.

    RE – Qual a perspectiva de adoção nos próximos 5/10 anos?

    CAD – Acreditamos que o eletro-fertilizante representará uma revolução no agronegócio, com adoção crescente nos próximos 5/10 anos. Os casos de sucesso atuais correspondem à evolução contínua das pesquisas e testes, que reforçam o potencial transformador da tecnologia para a segurança alimentar global.

    O Instituto Brasileiro de Ciências e Inovações (IBCI)

    O pesquisador Dr. Charles Adriano Duvoisin é presidente e um dos fundadores do Instituto Brasileiro de Ciências e Inovações (IBCI). Criado em 24 de junho de 2020, a partir de um pedido do Ministério da Saúde do Brasil para o desenvolvimento de um respirador que atendesse aos desafios impostos pela COVID-19. A iniciativa resultou em um amplo esforço colaborativo: 35 inventores, atuando de forma totalmente voluntária, projetaram e desenvolveram um respirador avançado, posteriormente patenteado.

    Com o avanço das vacinas e a redução dos casos da doença em 2021, o uso do equipamento não chegou a ser necessário no contexto humano. Assim, o IBCI decidiu doar o respirador para aplicações veterinárias, garantindo que a tecnologia desenvolvida continuasse a servir à sociedade. Em caso de novos surtos que demandem respiradores inteligentes e sustentáveis, o instituto já dispõe de uma solução tecnológica pronta para uso.

    Desde sua criação, o IBCI estabeleceu como propósito central reunir inventores e profissionais voluntários comprometidos com o bem humanitário. Até hoje, o instituto mantém suas atividades de maneira totalmente voluntária, focado em contribuir para o progresso científico nacional e global. Nesse espírito, o IBCI abriu caminho para parcerias com diversas universidades brasileiras, apoiando pesquisas conduzidas por cientistas do país — como exemplificado na colaboração com a UDESC — e estimulando o crescimento científico conjunto.

    Entre suas iniciativas atuais, destaca-se a mobilização em defesa da regulamentação da profissão de cientista no Brasil. O instituto busca promover o reconhecimento formal da atividade científica como profissão, valorizando pesquisadores como trabalhadores essenciais e promotores de inovação, assim como já ocorre em países desenvolvidos. Essa regulamentação é vista como fundamental para fortalecer o incentivo à pesquisa e impulsionar o avanço científico e tecnológico brasileiro.

    Para que esse objetivo seja alcançado de maneira eficaz e célere, o IBCI reforça seu pedido de apoio à sociedade e aos leitores interessados nessa causa. Mais informações sobre o instituto e suas iniciativas podem ser encontradas em seu site oficial: www.ibci.org.br.

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    Osni Ribeiro Mello
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    Editor, 54 anos, Engenheiro Civil (CREA-SC 146173-8), Jornalista (SC 3488) e Administrador. Com imensa satisfação, aceitei o desafio de integrar este projeto e editar a Revista da Engenharia. Um espaço onde posso exercer minha principal característica: a inquietação. Nesta iniciativa, aplico conhecimentos adquiridos em quase 20 anos de atuação no jornalismo, aliados à minha formação em engenharia civil e a uma década de experiência com projetos e obras. Coloco essa bagagem a serviço de um veículo comprometido em informar e formar uma massa crítica voltada ao fortalecimento da engenharia.

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