Por Osni R. Mello
Um sonho de mais de 30 anos da comunidade de São José está prestes a deixar as pranchetas e planilhas e ganhar vida. Estamos falando da monumental obra da Beira-Mar de Barreiros, que tem seu início previsto para o final de 2025, início de 2026 a depender da burocracia.
Quem nos conta sobre os desafios desta obra de 400 mil metros quadrados é o engenheiro civil e ex-secretário de Planejamento e Assuntos Estratégicos da Prefeitura de São José, Pedro Paulo Duarte da Silva.

“Na parte política o projeto da Beira-Mar de Barreiros depende apenas do carimbo da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para ter o financiamento aprovado, tramite burocrático. Na parte ambiental já temos a Licença Ambiental Prévia (LAP), que nos permite iniciar o processo de licitação. Então acredito que a obra deve iniciar em 2026”, afirmou Pedro Paulo.
Desenvolvimento social e econômico
Para Pedro Paulo, um dos entusiastas do projeto e, até a aprovação do financiamento do Banco de Desenvolvimento FONPLATA, o líder da equipe que o desenvolveu. A maior qualidade da obra é o desenvolvimento social e por consequência o financeiro, que está vai trazer para a sociedade de São José.
“Normalmente se analisa uma obra pelo eixo do desenvolvimento econômico. Certo? Eu acho que é invertido. Essa obra vai gerar um desenvolvimento social e criar desenvolvimento econômico”.
Observou Pedro Paulo, afirmando que inicialmente a obra vai gerar 400.000m² de área utilizável para o município, que a valores de mercado, R$ 2.000,00 o metro quadrado praticado na região, resulta num terreno de R$ 800 milhões, a um custo de R$ 400 milhões já com as benfeitorias.
“Além disso temos a geração de emprego e renda para os trabalhadores da obra, a valorização dos imóveis para os proprietários, a melhoria no fluxo do trânsito, a criação de áreas de lazer, o aumento da arrecadação de impostos, a verticalização da cidade aproveitando os serviços públicos e a mais importante: a criação de uma identidade para Barreiros e para São José”, observou o profissional, acrescentando que estes são apenas os principais benefícios.
Desafios do projeto
Normalmente os políticos não querem saber de obras complexas, que excedam os quatro anos de um mandato. Para Pedro Paulo este foi o maior desafio a ser vencido, mas afirmou que encontrou no prefeito Orvino Coelho de Ávila, receptividade para apresentar o projeto e ganhar o seu apoio.

“É aí que entra a importância da engenharia. O administrador não vai dizer de cara que faz o projeto. Cabe ao pessoal da engenharia, arquitetura e afins, buscar as informações e os motivos para que o projeto seja realizado”, argumentou.
Para o ex-secretário, as vezes não é uma tarefa fácil convencer o eixo político e o projeto pode acabar numa gaveta. “Mas quando o entusiasmo e a vontade de fazer se encontram, é possível resolver problemas e criar obras que tornam o nome de quem as bancou bíblicos”, brincou.
Ficha técnica
A Avenida Beira-Mar de Barreiros terá um grande impacto na mobilidade urbana dos municípios que compreendem a Grande Florianópolis. A obra, que inicia no Rio Büchler, limite com Florianópolis, vai ligar a região com a BR-101, no Rio Três Henriques, em São José (3,75 Km), e terá seis pistas de sentido duplo mais a marginal.
Compreende ainda a criação de áreas de lazer, passeios, ciclovias, pista de skate, calçadão, estacionamentos, quiosques, salas diversas e a melhoria de 2,8 Km de vias de acesso. A obra também prevê uma ligação com a Beira-Mar Continental, no Estreito e deve ser construída pelo Município de Florianópolis. Esta parte do projeto tem 4,50 Km, totalizando 8,25 km de extensão.
Números do Projeto
- Area ampliada no município: + 400.000 m²
- Novas Vias Criadas: 3,75 km
- Vias melhoradas: 2,8 Km
- Investimento FONPLATA: US$ 43,2 milhões
- Investimento Prefeitura São José: US$ 10,8 milhões
- Aterro hidráulico: 3.000.000 m³
- Prazo Construção: 4 anos

