O presidente da Academia Nacional de Engenharia (ANE), Mario Menel, foi um dos convidados do CREA Summit 2025. Sua presença marcou a assinatura de um acordo de cooperação com o CREA-SC, passo estratégico para fortalecer a engenharia na região.
Menel, que é natural do Paraná, mas se considera “catarinense de coração”, destacou a razão fundamental dessa aliança: “Tanto a academia quanto o CONFEA/CREA defendem a engenharia nacional, defendem a formação de mais engenheiros e de engenheiros de melhor qualidade. Então, nada mais justo e lógico que a gente assinasse um termo de cooperação.”
De acordo com Menel, a parceria visa alinhar as forças das duas entidades: o CREA atuando como executor das políticas, enquanto a ANE fornece sua expertise em iniciativas de boas práticas. A colaboração é inspirada em iniciativa do Capítulo São Paulo e reforça o papel do Capítulo Santa Catarina da ANE, que conta com 13 acadêmicos.
Desafios e Formação de Novos Talentos
A ANE tem 200 membros em todo o Brasil. O Capítulo São Paulo, que conta com 16 acadêmicos, lidera uma iniciativa inovadora. Em setembro, a instituição realizará um seminário de âmbito nacional, lançando desafios para estudantes de mais de 100 escolas de engenharia do país.
“As seis melhores notas serão premiadas com recursos da FINEP e, mais do que o prêmio em dinheiro, os alunos terão a oportunidade de debater os temas dos desafios com engenheiros consagrados. O estudante vencedor do desafio de saneamento, por exemplo, terá a chance de interagir com uma figura de destaque na área, como o engenheiro Gerson Kelp”, afirmou o presidente.
Menel revelou que um dos objetivos da parceria é trazer essa dinâmica de sucesso para Santa Catarina. “O desafio é convencer o Capítulo Santa Catarina a ser o patrono do próximo evento, que será realizado em setembro do ano que vem.”
O presidente ainda citou outras duas iniciativas desenvolvidas em parceria com a ANE para a engenharia. A primeira é da Enel, multinacional com sede na Itália, que está promovendo para engenheiros de pós-graduação, em nível de mestrado e doutorado, uma especialização em energias renováveis na Europa.
A outra iniciativa é da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que lançou um desafio para alunos de escolas secundárias, para que aprendam sobre eficiência energética, como economizar energia e como usar racionalmente a energia. “A iniciativa tem um efeito educativo na família, já que os adolescentes levam o conhecimento para casa”, observou.
Como se Tornar um Acadêmico
Para se tornar um membro da ANE, o processo é extremamente seletivo. A indicação parte de um acadêmico e é mantida em sigilo do candidato. Depois, uma comissão de seleção e ética avalia o currículo. O nome segue para a diretoria e, por fim, é referendado pela assembleia. Com apenas 200 vagas, as oportunidades são raras. “Este ano, por enquanto, nós temos uma única vaga, pelo falecimento de um acadêmico”, explicou Menel.
História da ANE
A Academia Nacional de Engenharia (ANE) teve sua origem em setembro de 1988, quando o Prof. Antônio José da Costa Nunes propôs sua criação durante uma reunião do Conselho Diretor do Clube de Engenharia. Após seu falecimento em 1989, cinco engenheiros dedicaram três anos a estudos comparativos de academias internacionais, culminando na fundação da ANE em 25 de abril de 1991. Desde então, a instituição consolidou-se como voz técnica independente da engenharia brasileira, promovendo conferências, seminários e emitindo pareceres estratégicos para políticas públicas.

